Dina

BIOGRAFIA

Dina (nome artístico de Ondina Veloso) nasceu a 18 de Junho de 1956, em Carregal do Sal, Distrito de Viseu. Durante a sua adolescência participa em algumas peças de teatro do colégio que frequenta, na sua terra natal, e descobre que é na música que se projecta. Foi também em Carregal do Sal que aprende os primeiros acordes.

Em 1977, com 21 anos, torna-se vocalista do grupo Quinteto Angola. Mas é em 7 de Março de 1980, quando a RTP fazia a sua primeira transmissão a cores, no seu Festival da Canção, que Dina se torna conhecida do grande público, desta vez a solo.

No Festival RTP da Canção de 1980 parte, das semifinais, como segunda favorita, com a música da sua autoria «Guardado em Mim». Arrebata o Prémio Revelação, atribuido pela crítica, sendo a sua voz elogiada pela Simone de Oliveira, que fazia parte do júri nas pré selecções. Volta a parecer nesse Festival em 1982, com duas músicas, mas a sorte teima em não querer nada com ela. É em 1992, com o «Amor d'Água Fresca» (tema que compôs propositadamente para o certame) que ganha este Festival, recebendo, assim, o passaporte para Malmö, na Suécia, onde representa Portugal na Eurovisão. Depois disso, em 1996, a RTP convida-a a compor uma música para o Festival RTP desse mesmo ano. Surge assim «Ai, A Noite», com letra de Rosa Lobato de Faria. Foi interpretada por Elaisa, estando a Dina e a sua guitarra a fazer parte dos coros. No seu álbum de originais «Sentidos», Dina pega neste tema e dá-lhe uma nova roupagem, juntando as vozes de Lara Li e Adelaide Ferreira nos coros.

As suas participações musicais não se resumem só aos Festivais da RTP. Em 1981 participa no festival de música de Slunchev Briag, na Bulgária, onde interpretou dois temas: um de um compositor búlgaro e um seu - «Há Sempre Música Entre Nós». Em 1988 Carlos Paião convida-a para um dueto na canção «Quando as Nuvens Chorarem». A 26 de Agosto desse mesmo ano, um acidente de viação ceifou a vida do Paião, com 31 anos, quando ainda tinha muito para dar. O álbum, «Intervalo», precedeu a sua morte, sendo editado em Setembro, como já estava programado. «Quando as Nuvens Chorarem» foi o tema de maior sucesso do mesmo.

Dina participa igualmente no teatro e na televisão, onde aceitou convites para a gravação de genéricos de programas, como a primeira telenovela portuguesa, Vila Faia (1982). Participou ainda no programa infantil Fungagá da Bicharada, da autoria de Júlio Isidro. Como facto curioso, Dina fez também o genérico da primeira telenovela portuguesa da TVI, Telhados de Vidro (1993).

Aquando da comemoração dos quinze anos de carreira, a cantora deu um concerto no Teatro da Trindade, onde passou em revista os grandes êxitos do seu currículo, com a presença de bailarinos clássicos em palco, assim como de dois músicos do Quarteto Scherzo Ensemble, nomeadamente o violoncelista Luís Sá Pessoa e a pianista Mercedes Cabanach.

«Que é de Ti», com letra de Ana Zanatti, foi o tema principal da telenovela Filha do Mar (2001), da TVI. Foi um grande êxito nacional (ajudou a catapultar a novela). A sua carreira estava relançada, não fosse uma brincadeira do destino. Em finais de Dezembro de 2001 ela sofre um acidente de viação que a deixa acamada um par de meses... e obriga-a a andar de canadianas durante quase dois anos. Mas como ela vive de e para a música, ainda acamada no hospital, compôs duas músicas para a telenovela Sonhos Traídos (2002), também da TVI. Compôs, também para esta telenovela, o tango «A Luz Que Eu Vi», interpretado por Lena d'Água.

Ao longo da sua carreira tem participado gratuitamente em acções de solidariedade, como o «Natal dos Hospital», «Pirilampo Mágico». Juntamente com outros cantores (Adelaide Ferreira, Anabela, Rita Guerra, Raúl Indipwo,... ), deu voz ao tema de Carlos Teixeira de Sousa, «Novo Amanhã», do trabalho «Correr Contra a Sida» (Produções AMC, 1996). No verão de 2002 fez um concerto na sua terra natal, em que a totalidade das entradas reverteu para os Bombeiros Voluntários locais.

Dina tem estado nestes últimos anos algo afastada do grande público. Espero que em breve surja um novo trabalho e que as editoras não fechem as portas a este talento, mas, antes, a deixem fluir como um barco que navega por alto mar...

DISCOGRAFIA

Dinamite (LP, Polygram, 1982)
Aqui e Agora (LP, UPAV, 1991)
Guardado em Mim (CD, Vidisco, 1993)
Sentidos (CD, Noites Longas, 1997)
O Melhor de 2 – Dina e Mário Mata (CD, Universal, 2001) - Compilação dos singles de Dina
Guardado em Mim 2002 (CD, Vidisco, 2002)

Singles

Guardado em Mim (Polygram, 1980)
Pássaro Doido / Amar Sem Aviso (Polygram, 1980)
Há Sempre Música Entre Nós / Retrato (Polygram, 1981)
Conta Comigo / Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim (Polygram, 1983)
Amor d'Água Fresca (UPAV, 1992)

Colectâneas

Vila Faia (1982) - Aqui Estou
Música Portuguesa (Philips, 1990) - Em Segredo
As Melhores Baladas da Música Portuguesa - vol.2 (Polygram, 1993) - Guardado em Mim
100 Grandes Vedetas Portuguesas (Selecções do Reader's Digest, 1997 ) - Há Sempre Música Entre Nós
Os Lobos (1998) - Vitorina / Aguarela de Junho
● Vencedores do Festival da Canção (Movieplay, 2001) - Amor d'Água Fresca
Filha do Mar (2002) - Que É de Ti / Lençóis de Vento / Março Marçagão
Sonhos Traídos (2002) - Dura de Roer / Deixar-se Ir